FAA UAS Symposium: como o mundo está lidando com a nova realidade dos Drones

Conteúdo Patrocinado – Por Por André Arruda e Lucas Florêncio, fundadores da AL Drones

Vivenciando uma imersão no cenário norte-americano durante o 2019 FAA UAS Symposium, entendemos como os Estados Unidos, e outros países do mundo, estão desenvolvendo os passos para o avanço da tecnologia.

O FAA UAS Symposium é promovido pela AUVSI (Association for Unmanned Vehicle Systems International), em conjunto com a Autoridade Aeronáutica do norte-americana, a FAA (Federal Aviation Administration). Os temas técnicos em pauta focaram em regulamentação, operação de Drones e novas tecnologias para o mercado. O evento contou com aproximadamente 1500 participantes, incluindo setores público e privado, com grande envolvimento e atuação no setor.

A primeira observação, previsível pela cultura norte-americana, considera a dimensão do evento. Realizado no Baltimore Convention Center, contou com infraestrutura impecável e organização da UAVSI, que ocupou a ampla área com salas de reunião, auditórios e espaço de imprensa.

Salão principal do 2019 FAA UAS Symposium, com cerca de 1500 participantes

Salão principal do 2019 FAA UAS Symposium, com cerca de 1500 participantes

O reflexo da importância do evento foi confirmado pelas personalidades envolvidas: na abertura, Elaine Chao (Ministra dos Transportes dos Estados Unidos) fez um pronunciamento sobre a importância estratégica dos Drones para o futuro do país, e como essa inovação tem potencial de melhorar a maneira com que vivemos.

Na sequência, em seu pronunciamento, Daniel Elwell (Acting Administrator da FAA), resumiu as principais diretrizes do governo norte-americano sobre a tecnologia de Drones:
– Innovation, Safety and Progress: A inovação trazida pelos Drones são uma oportunidade única para estruturar a segurança de voo do futuro, gerando profissionalização e riqueza para o setor.
– Integration, not Segregation: Os Drones deverão ser integrados ao espaço aéreo da aviação tripulada, e não segregados do restante das aeronaves.
– Fail Fast Concept: Esforço conjunto, empreendido pela Autoridade Aeronáutica e fabricantes, para ensaiar ao máximo a tecnologia em ambiente controlado, e assim “falhar rápido”, minimizando impactos econômicos e de segurança de voo. A filosofia “Fail Fast” pode parecer contraditória com o princípio de segurança. No entanto, a falha em ambiente controlado, dentro de áreas específicas, evitará futuros problemas em ambiente operacional.
– Be the First: O país tem o objetivo de ser pioneiro nesta tecnologia, desenvolvendo políticas estratégicas para o desenvolvimento do setor.

O envolvimento do alto escalão do governo norte-americano no desenvolvimento da tecnologia de Drones teve seu respaldo na população do país. Um exemplo disso foram os números, apresentados durante o simpósio, de interações entre a sociedade e a FAA. Os pedidos para operação BVLOS (Beyond Visual Line of Sight – voos além do alcance visual) através de waiver do FAA Part 107 (desvio ao requisito que limita o voo nesse sentido), superaram 1800 solicitações nos últimos 2 anos. Desse montante, apenas 27 casos foram aprovados pelo FAA, demonstrando que a população permanece engajada, mesmo com a tratativa rigorosa da Autoridade. Ao mesmo tempo, os números indicam que o FAA se estruturou para fornecer as respostas na velocidade e volume necessários para manter a população ativa. Esse pensamento sistêmico está configurando a base para um progresso bastante sólido da operação dos Drones no país. Reguladores, fabricantes, operadores, centros de pesquisa e clientes interessados interagem de maneira contínua e colaborativa.

Esse movimento está sendo estruturado desde 2017, com a criação do programa UAS IPP (UAS Integration Pilot Program) que delimita 9 áreas pré-estabelecidas para voo de Drones com objetivo determinado. É o caso das tecnologias de Drone Delivery, DAA (Detect and Avoid), mapeamento e inspeção, que passam a contar com áreas dedicadas, onde os conceitos BVLOS, voo noturno e operação sobre pessoas podem ser considerados. Nessas áreas, empresas obtêm autorização de operação facilitada, para testar suas soluções tecnológicas e gerar dados estatísticos da eficiência e segurança.

Mesmo com restrições técnicas e regulatórias, o país está em fase de amadurecimento e validações tecnológicas, contando com total envolvimento do governo. Os Drones fazem parte da política estratégica norte-americana, contando com o respaldo da população para o desenvolvimento organizado do setor.

Cenário Brasileiro

Trazendo o cenário para a realidade de nosso país, o Brasil também se mostra na liderança da tecnologia, principalmente do ponto de vista regulatório, considerando o trabalho realizado pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo). O envolvimento desses órgãos e dedicação dos seus agentes nas organizações internacionais, como a ICAO (International Civil Aviation Organization), trouxeram a atenção do mundo para o nosso contexto, fazendo o Brasil assumir uma estrutura normativa bastante moderna.

Mesmo na vanguarda da regulamentação mundial, temos aspectos que ainda nos distanciam da realidade norte-americana. Por parte do governo, a principal diferença está na alocação de recursos para o desenvolvimento da tecnologia de sistemas aéreos não-tripulados. Durante o simpósio, a FAA contou com aproximadamente 25 agentes dedicados, à disposição do público para tirar dúvidas dos interessados sobre Drones, assim como coordenadores de diferentes departamentos participando das mesas de discussão no Fórum. O Brasil possui cerca de 6 agentes do governo dedicados à regulamentação dos RPAS em todo o território nacional, muitas vezes compartilhando recursos com outras frentes de trabalho da aviação tripulada.

Na iniciativa privada, o volume de projetos profissionais com uso dos Drones no mercado norte-americano chama a atenção. A diferença em relação ao Brasil se deve à carência de capital de risco no país, que geralmente movimenta o pioneirismo tecnológico. Adicionalmente, esse fator é contribuído por um menor número de investidores com pensamento sistêmico que, ao invés de pressionar os elos da cadeia por vias legais, acaba desistindo de investir no setor, ou ainda operando de maneira irregular. A operação irregular, seja caracterizada por voos não registrados, ou operações fora do escopo aprovado, é extremamente danosa para o desenvolvimento saudável do setor, além de causar risco inaceitável às aeronaves tripuladas e população em solo.

O empenho dos setores privados e públicos do Brasil se tornou claro durante o FAA UAS Symposium, que contou com a presença e palestra do DECEA, incluindo seu Diretor Geral, o Tenente-Brigadeiro do Ar Jeferson Domingues. Demonstrando que o país está olhando com atenção o tema estratégico, já temos exemplos práticos da tecnologia que suportará os Drones do futuro, especialmente em relação à coordenação do espaço aéreo: O UTM (sigla em inglês para UAS Traffic Management) surge com grande destaque no cenário nacional. Por parte da iniciativa privada, o CEO da EmbraerX, Antonio Campello, apresentou no FAA UAS Symposium o novo modal de transporte aéreo autônomo de passageiros, e como a empresa está investindo nesse conceito.

André Arruda e Lucas Florêncio, fundadores da AL Drones, no painel do FAA UAS Symposium

André Arruda e Lucas Florêncio, fundadores da AL Drones, no painel do FAA UAS Symposium

A AL Drones, empresa de consultoria e projeto de UAS, também marcou presença, representando as empresas brasileiras de tecnologia, e apresentando os avanços conduzidos no Brasil. A empresa foi responsável pela condução do processo de Autorização BVLOS da série SenseFly eBee, recentemente aprovada no país para voos além da linha de visada.

O intercâmbio de experiências entre os setores no FAA UAS Symposium identificou novas tecnologias, opiniões sobre o futuro das operações, estratégias de minimização de risco e oportunidades de negócio. O Brasil construiu uma grande notoriedade na aviação mundial e deve manter sua posição de destaque para o mercado de Drones. “Nosso país é capaz de impor o ritmo de desenvolvimento do setor de Drones, não apenas de consumo dessa tecnologia. Esse processo deve passar, a exemplo dos norte-americanos, pela instituição de políticas de longo prazo que considerem a importância estratégica do setor”, afirmam André Arruda e Lucas Florêncio, sócios da AL Drones.

Os próximos anos serão de grandes transformações nesta nova aviação que está apenas começando. A atividade aérea, que sempre encantou a humanidade, ganha ares do século XXI com o potencial de impactar cada vez mais a nossa sociedade.