Fórum destaca papel das Geotecnologias e Drones nas Smart Cities

Além do fórum de soluções geoespaciais para cidades inteligentes, DroneShow e MundoGEO Connect PLUS teve cursos, evento paralelo, mostra de tecnologia e rodadas de negócios no último dia

Para quem não pôde estar presente no DroneShow e MundoGEO Connect 2019, realizado no fim de junho na capital paulista, ou para quem tinha como objetivo ir além e complementar sua atualização para o mercado, aconteceu de 5 a 7 de novembro no Hotel Meliá Ibirapuera, em São Paulo (SP), o evento DroneShow & MundoGEO Connect PLUS.

forum geo e drones nas smart citiesO evento teve sua conclusão hoje (7/11) com o 1º Fórum de Soluções Geoespaciais para Cidades Inteligentes, três cursos e um evento especial do INPE, além da mostra de tecnologia e as rodadas de negócios.

Drones, carros, aviões ou satélites para mapear as cidades? Bancos de dados centralizados ou blockchain? Estes foram alguns dos temas levantados no Fórum de Soluções Geoespaciais para Smart Cities que fechou o DroneShow e MundoGEO Connect PLUS.

Na abertura do fórum, Grazi Carvalho, da Trilha Treinamentos, apresentou 6 pilares de uma Smart City: Tecnologia, Plano de Desenvolvimento Estratégico, Mastermind Municipal, Desenvolvimento de Pessoas, Participação Cidadã e Modernizaçâo Administrativa (processos e procedimentos), reforçando que o Cadastro Técnico Multifinalitário é a base para uma cidade inteligente. Veja o replay do webinar 10 Projetos GIS para Cidades Inteligentes. Grazi Carvalho lembrou de alguns normativos importantes, como a Lei 10.267 de 2001 na área rural, a instituição da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INPE), o Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais (Sinter), entre outras.

Luciana Pascarelli Santos, Coordenadora da GeoInfo na Secretaria Municipal de Urbanismo do Município de São Paulo, falou sobre os desafios para desenvolvimento, manutenção e expansão do GeoSampa, uma experiência de São Paulo que integra vários órgãos gerando dados. Fernando Gomes, ganhador da última edição da Hackatona Geosampa, lembrou o filme Bacurau como exemplo da falta de mapas. Segundo ele, o órgão é agnóstico a tecnologia e ágil com novas ideias.

Na sequência, André Arruda, CEO da AL Drones, falou sobre utilidade e segurança no uso de aeronaves remotamente pilotadas em ambiente urbano. De acordo com André, o maior desafio é integrar os drones ao espaço aéreo urbano com segurança. Citou a linha eBee certificada para voo BVLOS e o drone Arator para voo acima de 120 metros, além do trabalho junto à empresa Speedbird Aero para certificação de aeronave para operações de delivery. Na parte de perguntas, uma representante da assessoria de comunicação da DJI lembrou da chamada aberta pela ANAC sobre as regras e Lucas Florêncio, sócio de André, comentou sobre a importância dos fabricantes colaborarem com a segurança através da inclusão de No Fly Zones nos próprios equipamentos.

No fim da manhã houve um debate sobre plataformas para mapeamento das cidades com o tema “Drones, carros, aviões ou satélites para mapear as cidades?”. Cleber Oliveira, Diretor da Visiona, lembrou desde as primeiras imagens do satélite Ikonos, que permitiram os primeiros usos em área urbana, até as possibilidades de hoje. Danilo Rodrigues, Diretor da GeoSurv, apresentou resultados de estudos de drones aplicados em mapeamento urbano, tendo como resultado final modelos 3D e BIM. Valther Aguiar, Diretor da Esteio, fez uma revisão histórica da aerofotogrametria, apresentando também conceitos, tipos de câmeras e aplicações, comparou sensores de drones (que custam em torno de 3 mil dólares) com câmeras de grande formato (na casa de 1,3 milhão de dólares) e afirmou que existe mercado para ambos. Esther Querat, da Airbus Defence and Space, trouxe o conceito de cidade segura e resiliente, e como as imagens orbitais contribuem no mapeamento tridimensional de ambientes urbanos. Finalizando o painel, Fabricio Hertz, Diretor da Horus Aeronaves, demonstrou ao vivo o uso de uma plataforma online com imagens de satélites e de drones para apoiar prefeituras.

Iniciando a parte da tarde, Julio Ribeiro, diretor da Hubse, lembrou que plano diretor deve ser um processo contínuo e não uma consulta feita às pressas a cada 10 anos somente para cumprir a legislação. Agostinho Rezende, diretor da DRZ Geotecnologia, lembrou que cadastro nas cidades é o mesmo que banco de dados e SIG, reforçando que o fim é um App para que o cidadão possa ter acesso aos dados. Régis Bueno, diretor da Geovector, fez um apanhado histórico sobre cadastro e respondeu, quando questionado sobre o geo urbano, que hoje falta um “maestro” na área urbana semelhante ao que o Incra já faz na área rural.

Alessandro Machado, da ABM Agrimensura, iniciou afirmando que estamos 200 anos atrasados na área de cadastro e que é preciso o envolvimento de todos os órgãos ligados aos imóveis urbanos para vencermos os desafios de criar uma base de dados 3D, com alta precisão e usando o conceito de BIM. Segundo Alessandro, o georreferenciamento é o marco maior de todo o processo de criação do Sinter. Trouxe também o conceito de CIB (Cadastro Imobiliário Brasileiro), que será o “CPF do Imóvel” e apresentou o cronograma atual do Sinter, no qual existem 3 cidades com projetos-piloto em andamento, 26 capitais que deverão ser envolvidas até junho de 2020, 25 cidades com mais de 500 mil habitantes até dezembro 2020 e assim por diante.

Everton Nubiato, Supervisor de Desenvolvimento de Sistemas da Engefoto, apresentou detalhes de sua pesquisa na qual fez uma proposta de especificação técnica de um sistema de gestão cadastral municipal. No estudo, Everton fez uma análise de 185 editais de licitação pública, entre 2016 e 2019, com muitas diferenças entre eles e baixas especificações técnicas usuais de mercado. Everton concluiu que o uso de engenharia na criação de documentação e especificação técnica para soluções de geoinformação aplicadas à gestão territorial permitiu a definição de um conjunto de requisitos de sistema para aquisição de um sistema de informações territoriais por administração pública municipal.

O painel final teve como objetivo responder à pergunta “Como implantar com sucesso um sistema de gestão de informações georreferenciadas municipal?”. Letícia Mose, Especialista em Governo Municipal da Imagem, Maurício Cícero de Castro, da Geoambiente, e Fernando Leonardi, Diretor da Geopixel, trouxeram cases de sucesso no uso de geotecnologias em prefeituras. Juliano Lazaro, Gerente da Hexagon Geospatial, compartilhou um pouco da visão da empresa sobre o que está sendo feito no mundo ligado a cidades inteligentes usando geotecnologias e drones integrados a ciência de dados, big data, realidade virtual/aumentada, entre outras tendências.

O DroneShow e MundoGEO Connect PLUS cumpriu com o objetivo de ser uma extensão do evento principal que acontece no primeiro semestre. A próxima edição acontece de 19 a 21 de maio no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP).

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Imagem: Divulgação